De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 19 de julho de 2007
terça-feira, 17 de julho de 2007
só mais um bocadinho....
É curioso como, justamente quando pensamos que finalmente estamos imunes à dor, que já atingimos o bem-aventurado estado semi-vegetativo no qual já nada se sente, aparece qualquer coisa que nos lembra que podemos sempre morrer mais um bocadinho...
domingo, 15 de julho de 2007
Até ao fim
Lembro-me como se fosse hoje!
Éramos ainda dois, nervosos, ansiosos.
Tu de um lado, eu do outro.
Afastados e esgotados do teu desabafo
Estávamos no escuro e no silêncio quando, de repente,
Sentimos que já não estávamos sós: era a aurora a chegar
Veio um raio de luz, tímido, depois outro
E sem sabermos como fomos invadidos pela sua luz
E pelos cânticos dos pássaros que a festejavam!
Lembro-me de pensar se estariam a festejar o nascimento de um novo dia,
Ou o nascimento de um novo amor!
Não dissemos nada!
Não precisámos de dizer nada!
O beijo que me deste disse tudo!
Ainda o sinto nos meus lábios... tão puro, tão doce!
Eu não ofereci resistência ao teu beijo
E tu deste outro, e mais outro
Deitaste-te ao meu lado e abraçaste-me!
Ouvi baixinho um "amo-te!"
E juntos ficámos até que o resto do mundo nos expulsou
Éramos já dois em cada um de nós
"até onde vamos, meu amor?"
"até ao fim..... até não restar mais nada!"
Éramos ainda dois, nervosos, ansiosos.
Tu de um lado, eu do outro.
Afastados e esgotados do teu desabafo
Estávamos no escuro e no silêncio quando, de repente,
Sentimos que já não estávamos sós: era a aurora a chegar
Veio um raio de luz, tímido, depois outro
E sem sabermos como fomos invadidos pela sua luz
E pelos cânticos dos pássaros que a festejavam!
Lembro-me de pensar se estariam a festejar o nascimento de um novo dia,
Ou o nascimento de um novo amor!
Não dissemos nada!
Não precisámos de dizer nada!
O beijo que me deste disse tudo!
Ainda o sinto nos meus lábios... tão puro, tão doce!
Eu não ofereci resistência ao teu beijo
E tu deste outro, e mais outro
Deitaste-te ao meu lado e abraçaste-me!
Ouvi baixinho um "amo-te!"
E juntos ficámos até que o resto do mundo nos expulsou
Éramos já dois em cada um de nós
"até onde vamos, meu amor?"
"até ao fim..... até não restar mais nada!"
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Não me sai nada. Nem um verso, um versozinho único.
Estou vazia de ideias.
Gostava de conseguir "expelir" uma ode a qualquer coisa... mas não sai nada!
É como se tivesse formatado o disco duro cá de cima e agora apenas dá para fazer "cd:"
qual mera visualização dos conteúdos, sem qualquer interpretação dos mesmos.
Desisto, não sai nada!
Estou vazia de ideias.
Gostava de conseguir "expelir" uma ode a qualquer coisa... mas não sai nada!
É como se tivesse formatado o disco duro cá de cima e agora apenas dá para fazer "cd:"
qual mera visualização dos conteúdos, sem qualquer interpretação dos mesmos.
Desisto, não sai nada!
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Soneto da Separação
"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinicius de Moraes
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinicius de Moraes
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