segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

dia 39

Olá meu amor,
consegui tirar o anel com o qual me pediste em casamento. Deixei-o na prateleira da casa de banho. Olho para ele todos os dias, quando me levanto. Lavo a cara e olho para ele, ponho creme e olho para ele, lavo os dentes e olho para ele, penteio-me e olho para ele... respiro fundo e saio de casa sem ele. Repito o mesmo ritual quando me deito! "Baby steps"- alguém me disse, e assim o faço. Ainda não reuni a tua roupa num qualquer saco para dar a uma instituição de caridade (imagino que não a queiras de volta). Os dias correm normalmente: trabalho-casa, café com amigos, casa-trabalho. Nada de diferente excepto a tua ausência. Mas também ela já não é assim tão diferente. Curioso ao que o bicho Homem se habitua. Na maioria dos dias estou bem, chego a pensar que até não é assim tão difícil não te ver, não te ter. Mas depois aparecem estes dias, estes mal-fadados dias em que só me apetece ouvir a tua voz, a tua gargalhada... nem que seja de longe. E espero, olho repetidamente para o telemóvel na vã esperança que me mandes uma mensagem: "estás bem, linda?". Mas não mandas. E então penso : "E se lhe mandasse eu uma? Uma simples, só um: Olá! Tudo bem? Que contas?". Mas não mando. E o dia passa, e a saudade fica. Fujo de perguntar por ti a quem te conhece. Acho que tenho medo da resposta, de me dizerem: "Olha, vi-o no outro dia! Pareceu-me bem!" E não é isso que eu quero ouvir. Quero que estejas a sofrer com a minha ausência, que te apercebas do erro que cometeste, pois tu não consegues viver sem mim... melhor... não consegues ser feliz sem mim! (Era bom, era)
Mas o tempo teima em passar.
E a saudade teima em ficar.